| 28/01/2012 10h45

VALORIZAÇÃO DOCENTE AINDA NÃO É PRIORIDADE NA POLÍTICA PÚBLICA


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VALORIZAÇÃO DOCENTE AINDA NÃO É PRIORIDADE NA POLÍTICA PÚBLICA

Embora bastante presente no discurso dos governantes e da sociedade em geral, na prática, o reconhecimento da importância do professor não se efetiva em ações concretas. O jornal Folha de S.Paulo destacou em manchete de capa que 17 Estados não cumprem a lei do piso nacional do magistério. Hoje, o piso é de R$ 1.187,14 para professores com dedicação de 40 horas semanais.

A lei assegura ainda que os docentes dediquem ao menos 33% desse tempo à preparação de aulas e ao atendimento aos alunos – determinação que a maioria dos Estados (15 deles) também não cumpre.

Na sociedade, o desprestígio da profissão docente se traduz na baixa atratividade da carreira. Estudo realizado pelo Instituto de Pesquisas Educacionais do MEC (Inep) constatou que apenas 5,2% dos jovens que realizaram o Enem em 2007 responderam que gostariam de ser professores da educação básica. O desempenho na prova também revela o nível dos candidatos: aqueles com piores notas têm quase três vezes mais chance de ser professor do que aqueles com as melhores notas. Ou seja, a carreira não atrai os melhores alunos.

Pesquisa mais recente (2009), encomendada pela Fundação Victor Civita à Fundação Carlos Chagas, que ouviu 1.501 jovens de escolas públicas e privadas chegou a resultado ainda mais preocupante: apenas 2% indicaram, como primeira opção de ingresso à faculdade, o curso de Pedagogia ou alguma outra licenciatura.

Estudos indicam que os sistemas educacionais que se sobressaem nos rankings internacionais selecionam seus professores dentre os 30% melhores graduandos.

Para a superintendente do Cenpec, Anna Helena Altenfelder, a questão da valorização do professor está diretamente relacionada à valorização da Educação. “É preciso antes de tudo ressignificar a importância da Educação no nosso País. Porque se a gente tem clareza que a Educação é fundamental para o desenvolvimento do País e para uma sociedade mais justa e igualitária, é evidente que o professor desempenha aí um papel importantíssimo”.

Ela ressalta, no entanto, que esse reconhecimento social da docência deve ser acompanhado de ações concretas por parte do poder público, no sentido de garantir ao professor condições adequadas de trabalho, de formação e de remuneração.

A superintendente do Cenpec lembra ainda que esse desprestígio social do professor resulta de um longo processo de precarização do trabalho docente no País: “Existe toda uma literatura sobre o tema”, afirma. “Essa condição de precariedade envolve uma série de fatores, que vão desde as condições de trabalho, como o acesso a equipamentos e materiais, o número de alunos por sala e a existência de apoio técnico-pedagógico até a questão da formação inicial e continuada, que não atendem às reais necessidades dos professores”.

Segundo Anna Helena, diversos estudos apontam a necessidade de profissionalização do magistério, no sentido de reconhecê-lo como uma profissão que tem um status social, um código de conduta, um saber comum. Recentemente, o governador do Ceará, Cid Gomes, declarou, em meio a uma greve de professores no Estado, que “professor tem que trabalhar por amor e não por dinheiro”.

“Essa visão é perigosa porque vai na contramão da profissionalização. O professor deve ter amor à profissão, comprometimento com seus alunos, mas ele é um profissional e tem que ser reconhecido como tal”, ressalta a superintendente. “Não basta ele ter amor e boa vontade, assim como ninguém quer ser tratado por um médico só porque ele ‘leva jeito’ com as pessoas. A profissão de professor é definida por um duplo saber: ele precisa saber o que ensinar, mas, sobretudo, como ensinar. É um conhecimento técnico, profissional”.

PARA QUE A EDUCAÇÃO PÚBLICA NO BRASIL MELHORE É PRECISO:


• Aumentar os gastos em educação para entre 7% e 10% do Produto Interno Bruto (PIB). Atualmente é menor que 5%. O governo federal prometeu aumento para 2012.
• Mudar currículo, metodologia e equipamentos.
• Criar um plano de carreira e dar formação continuada aos professores.
• Os diretores, peça fundamental na mudança, seriam concursados e não nomeados por indicação política.
• Horário integral.
• Escolas com portas abertas à comunidade.

`O senador Cristovam Buarque acaba de lançar um livro em que defende a federalização da educação fundamental e média. Não é à toa. Das oito primeiro escolas colocadas no Ideb, sete são federais e uma estadual.

Referências
www.cenpec.org.br
Revista Carta Capital – 07.12.2011

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