Para alguns a dança é uma maneira de dar forma poética a diferentes temas, para o Grupo Experimental de Dança de Pinhalzinho, ela é também o ato de fiar a memória e valorizar o território. Com o projeto EntreNós, o grupo se prepara para uma turnê gratuita que ocupa espaços culturais do oeste e meio-oeste catarinense. A circulação iniciou em março, passou por Joaçaba, Caçador e Concórdia, e nesta quarta-feira, 08/04, será realizado em São Miguel do Oeste. A apresentação acontecerá no Centro Cultural Unoesc, em parceria com a Universidade, com a Secretaria de Cultura e Prefeitura Municipal De São Miguel do Oeste, às 15 horas, com entrada gratuita. Os ingressos podem ser reservados pelo link https://linktr.ee/ExperimentalPzo - também disponível nas redes sociais do Projeto.
“Estamos muito felizes com essa circulação pela nossa região, uma pesquisa conectada com o nosso lugar, trazendo referências regionais, que conversam diretamente com a nossa memória afetiva, com a ligação com nossas ancestrais a partir do artesanato de trançado dos fios, além de um mergulho em histórias mitológicas que contribuíram muito para essa criação”, pontua a Diretora Paola Zonta.
Contemplado pelo Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura 2024, realizado pela Fundação Catarinense de Cultura com o apoio do Governo do Estado de Santa Catarina, - uma das principais políticas públicas culturais desenvolvidas no Estado - o projeto não apenas apresenta um espetáculo, mas documenta e ressignifica a cultura imaterial do oeste catarinense, democratizando o acesso à arte em uma das áreas do estado com menor oferta de circulação de espetáculos profissionais.
De acordo com Paola, “é a partir da investigação sobre o território, sobre o acesso às memórias regionais e afetivas, estimulando a consciência desse valor, que o projeto procura legitimar, valorizar e fortalecer o saber regional e a cultura local através da cena”.
Pesquisa
Além das inspirações regionais, a pesquisa adentra histórias e mitologias como as "Fiandeiras do Destino", por exemplo. O espetáculo percorre os ciclos da vida: o nascer, os laços que criamos, as heranças que recebemos e o inevitável: partir. A dramaturgia não nasceu do abstrato, mas de uma imersão profunda iniciada em 2020, que incluiu entrevistas com artesãs locais. Os relatos, os cheiros e as texturas do tear, do tricô, do crochê, do macramê e os movimentos de criação no processo artesanal, foram as bases para a criação da cena.
No palco, os bailarinos habitam uma cenografia feita de fios que se entrelaçam com os próprios figurinos — em sua maioria, produzidos artesanalmente. É um convite para perceber que o que permanece não é o fio, individualmente, mas a trama tecida em coletivo.
Refletindo o cuidado presente em cada ponto, o projeto foi desenhado para ser acessível. As apresentações contarão com audiodescrição ao vivo para pessoas com deficiência visual e os bate-papos, após as sessões, terão intérprete de Libras. O espetáculo tem indicação etária de 10 anos, com um convite especial para que mulheres idosas e artesãs locais, para que ocupem a primeira fila desta celebração.
Grupo
No coração desta proposta e pesquisa está o Grupo Experimental de Dança de Pinhalzinho, sob direção da pesquisadora Paola Zonta. Mais do que um grupo de performance e dança, o coletivo consolidou-se desde 2015 como um pólo de resistência e inovação na pesquisa das artes cênicas na região oeste. Sua importância para a região é vital: ao operar em nível semiprofissional com uma pesquisa continuada, o grupo preenche uma lacuna histórica na criação e produção cultural regional em dança.
Programa-se
08/04 - Quarta-feira - São Miguel do Oeste
Centro Cultural Unoesc
Horário: 15h
Indicação etária: 10 anos.
Para outras informações acesse o projeto no Instagram: @entrenos_experimental.
Créditos:
Texto: Camila Almeida
Fotos: Lucas Daga
Atendimento à imprensa
Camila Almeida - Assessora de Imprensa Cultural
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