Um levantamento recente aponta que 91% das mulheres no Brasil têm medo de sofrer estupro. O dado foi divulgado na mesma semana em que quatro jovens foram presos no Rio de Janeiro, suspeitos de estuprar uma adolescente, caso que reacendeu o debate sobre violência sexual no país.
A pesquisa foi realizada pelo Instituto Patrícia Galvão e pelo Instituto Locomotiva, que reúnem bancos de pesquisas e fontes sistematizadas no projeto Violência contra as Mulheres em Dados e nos dossiês Violência Sexual, Feminicídio e Violência contra as Mulheres.
Os números também mostram que grande parte das vítimas não busca ajuda após o crime. Entre mulheres que sofreram estupro até os 13 anos de idade, cerca de 76% não procuraram nenhum atendimento público.
Já entre as vítimas com mais de 14 anos, a taxa é ainda maior: 78% não recorreram a serviços de saúde, assistência ou denúncia às autoridades.
Maioria das vítimas conhecem o abusador
O medo de não serem acreditadas, serem desrespeitadas ou até responsabilizadas pelo crime é um dos principais fatores que levam muitas mulheres a não denunciar os agressores ou buscar apoio após a violência.
Essa realidade faz com que muitas vítimas deixem de exercer direitos garantidos por lei, como registrar ocorrência em delegacias e acessar atendimento de saúde especializado.
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, responsáveis pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, indicam que quase 90% dos autores de estupro são conhecidos das vítimas.
Segundo a promotora Ana Carolina Villaboim, integrante do grupo de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher do Ministério Público de São Paulo (MPSP), esse perfil reforça a dificuldade de denúncia, já que em muitos casos o agressor faz parte do convívio familiar ou social da vítima.
"Pais, padrastos, tios e outras pessoas do convívio daquela menina. Por questões até mesmo psicológicas, é muito difícil para a vítima denunciar alguém em quem ela nutria confiança ou até algum tipo de afeto anteriormente", diz promotora.
Meninas entre as principais vítimas
Ainda segundo a especialista, o fato de a maioria dos casos envolver meninas de até 13 anos revela que o medo da violência sexual, que deveria atingir apenas mulheres adultas, também afeta crianças e adolescentes.
“Os dados não nos deixam negar esse temor, que é vivenciado não só pelas mulheres, mas infelizmente também pelas meninas, já que o maior número de vítimas tem até 13 anos de idade”, afirmou.
A promotora também destacou que meninas negras e em situação de vulnerabilidade social estão entre os grupos com maior risco de sofrer violência sexual.
SBT News