Uma operação integrada de forças de segurança pública desarticulou uma organização criminosa responsável pelo desenvolvimento, produção e comercialização de armas de fogo fabricadas por impressão 3D, conhecidas internacionalmente como ghost guns (armas fantasmas).
A Operação Shadowgun cumpriu 36 mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão, tendo como alvo 30 investigados em 12 estados brasileiros.
A investigação foi conduzida pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro em conjunto com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, por meio do CYBERGAECO, unidade especializada no combate ao crime organizado no ambiente digital.
A operação contou com apoio das polícias civis de diversos estados, incluindo Polícia Civil de Santa Catarina, além das corporações da Bahia, Sergipe, Goiás, Roraima, Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Minas Gerais.
Armas “fantasmas” e produção clandestina
As investigações apontaram que o grupo utilizava plataformas online para compartilhar arquivos digitais, manuais de montagem e orientações técnicas para a produção clandestina de armamentos por meio de impressoras 3D.
Esse tipo de armamento é conhecido como “arma fantasma”, pois não possui numeração de série, o que dificulta a rastreabilidade e representa um risco relevante para a segurança pública.
Além da divulgação dos projetos digitais, os integrantes também fabricavam e comercializavam peças e acessórios de alto poder destrutivo, como carregadores de grande capacidade.
Estrutura financeira e comércio ilegal
De acordo com os investigadores, a organização utilizava sistemas de pagamento digitais com alto nível de anonimato, dificultando o rastreamento das transações financeiras.
Os produtos eram anunciados em plataformas de comércio eletrônico e enviados pelos Correios para compradores em diferentes estados.
O cruzamento de dados revelou que parte dos destinatários possuía antecedentes criminais, incluindo possíveis ligações com milícias e organizações ligadas ao tráfico de drogas.
Cooperação internacional e apoio de inteligência
A operação contou ainda com cooperação da Agência Brasileira de Inteligência e da agência norte-americana Homeland Security Investigations, além do Centro Integrado de Segurança Pública e Proteção Ambiental de Foz do Iguaçu.
Segundo o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, a ação demonstra a importância da integração entre instituições no enfrentamento às novas formas de criminalidade.
Denúncia e medidas judiciais
Com base nas provas reunidas, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou integrantes da organização pelos crimes de:
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organização criminosa
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comércio ilegal de armas de fogo
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lavagem de capitais
Os investigadores também pediram a condenação solidária dos investigados ao pagamento de R$ 2,3 milhões por danos morais coletivos, devido ao risco gerado pela disseminação de armamentos ilegais de difícil rastreamento.
As medidas judiciais incluem prisões preventivas, buscas e apreensões e outras ações cautelares, com o objetivo de interromper a produção e a circulação clandestina desse tipo de armamento no país.
PCSC