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Vai ter racionamento de diesel em SC? Entenda o cenário em meio à Guerra no Oriente Médio

Bloqueio em rota estratégica do petróleo e tensões no Oriente Médio pressionam preços do combustível, mas SC ainda não registra falta de diesel

Vai ter racionamento de diesel em SC? Entenda o cenário em meio à Guerra no Oriente Médio
Foto: Secom Itajaí/Reprodução/ND

A possibilidade de racionamento de diesel começou a gerar preocupação em Santa Catarina após uma decisão tomada pela prefeitura Araranguá, Sul do estado, de controlar o uso do combustível. No entanto, entidades do setor de combustíveis, da indústria e do transporte afirmam que, até o momento, não há registro de desabastecimento no estado, apenas aumento nos preços do diesel.

Na sexta-feira (13), a prefeitura de Araranguá anunciou medidas de racionamento do uso de óleo diesel em equipamentos e veículos públicos. A decisão foi tomada após fornecedores sinalizarem uma possível dificuldade de abastecimento nas próximas semanas, em meio às incertezas provocadas pela guerra no Oriente Médio.

Apesar da medida preventiva do município, entidades do setor reforçam que não há confirmação de falta de combustível em Santa Catarina até o momento.

A FIESC (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina) informou que ainda não recebeu manifestações de empresas industriais relatando desabastecimento. Já a Fetrancesc (Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística no Estado de Santa Catarina) afirmou que acompanha o cenário, mas que as transportadoras ainda não relataram problemas concretos com falta de diesel.

O Procon-SC também informou que não houve denúncias relacionadas à falta do combustível no estado. O órgão registrou, porém, cerca de 20 reclamações apenas na última semana relacionadas ao aumento do preço do diesel.

Na sexta-feira, a entidade enviou uma nota técnica de orientação a todos os Procons municipais de Santa Catarina e anunciou que fará uma coletiva de imprensa na segunda-feira (16) para esclarecer a população sobre a situação do combustível.

Falta pontual pode ser devido à alta procura

Segundo representantes do setor de postos de combustíveis, o que está ocorrendo em alguns locais não é desabastecimento, mas aumento repentino na demanda.

De acordo com Alam Mafra, representante jurídico do SCPetro (Sindicato dos Postos de Combustíveis de Santa Catarina), o receio da população de uma possível falta tem levado motoristas e empresas a anteciparem abastecimentos.

“O que temos visto é um crescimento no consumo. As pessoas estão correndo para os postos com receio de que venha a faltar combustível. Isso faz com que alguns postos vendam rapidamente o estoque e precisem aguardar a reposição”, explica.

Segundo o advogado, cada posto possui capacidade limitada de armazenamento. Quando o consumo aumenta de forma inesperada, pode ocorrer atraso momentâneo na reposição do produto.

“Pode acontecer pontualmente de um posto ficar sem combustível por algumas horas ou até um dia, mas isso não significa que haja desabastecimento generalizado”, afirma.

Outro fator que pode influenciar na disponibilidade do combustível está relacionado à relação entre postos e distribuidoras.
Existem postos chamados “bandeirados”, que possuem contrato com distribuidoras específicas, e os chamados “bandeira branca”, que compram combustível de diferentes fornecedores.

“Quando há alguma limitação logística, as distribuidoras priorizam atender os postos que têm contrato. Isso pode gerar diferença na reposição entre um posto e outro”, acrescenta Mafra.

Racionamento de combustível em Araranguá

A decisão de racionamento em Araranguá foi anunciada após reunião entre secretários municipais e integrantes da administração pública.

Segundo o diretor de Comunicação da prefeitura, Sandro Ramos, a medida tem caráter preventivo e busca garantir o funcionamento de serviços essenciais caso ocorra alguma instabilidade no abastecimento.

“Diante das incertezas do mercado de combustíveis devido à guerra que acontece, o município decidiu racionar o uso do diesel em alguns equipamentos e veículos”, afirmou à NDTV RECORD.

De acordo com ele, o uso do combustível será priorizado para áreas consideradas essenciais, como saúde e educação. Máquinas utilizadas em obras, caminhões e equipamentos pesados terão o uso reduzido temporariamente.

“A população precisa compreender que alguns serviços poderão ter diminuição na intensidade de execução, mas vamos garantir as áreas prioritárias como saúde, educação e limpeza pública”, explicou.

Guerra e petróleo: o que está acontecendo

A preocupação com o diesel tem relação com a escalada das tensões no Oriente Médio e com possíveis impactos na oferta mundial de petróleo. Um dos principais pontos de atenção é ofechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo.

O estreito é responsável por cerca de 20% de todo o petróleo comercializado globalmente. Qualquer interrupção no fluxo de navios na região pode afetar diretamente o mercado internacional de combustíveis.

Segundo dados divulgados pela agência Bloomberg, o bloqueio prolongado da rota por forças ligadas ao Irã teria levado alguns países produtores do Oriente Médio a reduzir temporariamente a produção, gerando um déficit estimado em cerca de 6% na oferta mundial de petróleo.

Brasil depende de diesel importado

A volatilidade do mercado internacional tem impacto direto no Brasil, principalmente no diesel. Segundo especialistas do setor, cerca de 30% do diesel consumido no país é importado.

Por isso, mesmo sem alterações na produção interna, mudanças no mercado global podem influenciar o preço e a disponibilidade do combustível.

Mafra ressalta, no entanto, que ainda é cedo para prever se o conflito no Oriente Médio pode causar impacto real no abastecimento em Santa Catarina. “Não dá para dizer o que vai acontecer. Tudo depende da duração do conflito e do comportamento do mercado internacional”, afirma.

Preço do diesel já apresenta alta

Embora a falta de combustível ainda não foi registrada, o aumento no preço do diesel já começou a afetar o bolso do catarinense. Segundo representantes do setor de postos, algumas distribuidoras fizeram reajustes recentes no valor do combustível repassado aos revendedores.

Esses aumentos ocorreram mesmo sem anúncio oficial de reajuste por parte da Petrobras. “Temos notícia de que as distribuidoras fizeram alguns repasses de preço nos últimos dias”, afirma Mafra.

Ele explica que os postos acabam sendo impactados por essas variações ao comprar combustível das distribuidoras, o que pode refletir no preço final ao consumidor.

ND+

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