O padre Eduardo Senna, pároco da Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, em Canasvieiras, Florianópolis, organizou uma rifa beneficente com um Fiat Argo 0km como prêmio principal e acabou sendo o próprio ganhador do veículo. O sorteio aconteceu no domingo de Páscoa, 5 de abril, durante a missa na Igreja Matriz, e gerou questionamentos entre fiéis e vendedores dos bilhetes.
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Bilhete em branco
Conforme o vídeo do sorteio, que circula nas redes sociais, o bilhete sorteado para o prêmio principal estava em branco, sem nome ou dados preenchidos. O próprio padre Eduardo reconheceu no momento da premiação que o bilhete era dele.
Durante a missa, antes mesmo do sorteio, o pároco já havia dito aos fiéis que havia comprado números e que os deixou em branco, sem preencher o nome. Ao sortear o bilhete premiado, ele confirmou: “É em branco, é o meu. Aqui em branco, nada escrito, porque é verdade. E não estou mentindo”.
Questionamentos sobre transparência
Segundo uma catequista da paróquia que ajudou a vender os bilhetes, a dinâmica do sorteio levanta questionamentos sobre a transparência do processo.
A vendedora de rifas também questiona o fato de o próprio organizador do sorteio ter participado da ação. “É a mesma coisa que a minha empresa lançar um sorteio e eu mesmo como dono estar participando”, comparou a catequista, que diz ter ficado com vergonha perante as pessoas para quem vendeu os bilhetes.
Segundo ela, a comunidade está indignada, mas parte dos fiéis tem receio de se manifestar publicamente por medo de represálias.
Opiniões divididas
Nos comentários da publicação oficial da paróquia no Instagram, que confirmou o padre como ganhador do carro, as opiniões ficaram divididas. Parte dos fiéis parabenizou o pároco e defendeu que ele comprou bilhetes e tem direito ao prêmio como qualquer outro participante. Outra parte questionou a lisura do processo, apontando que bilhete sem nome não comprova dono e que um sorteio com prêmio de alto valor deveria ser vinculado à Loteria Federal para garantir transparência.
Sem manifestação oficial
Até a publicação desta reportagem, não havia manifestação oficial da Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe nem da Arquidiocese de Florianópolis sobre os questionamentos levantados. Conforme apurou o Jornal Razão, ainda não há registro de denúncia formal sobre o caso. Os demais prêmios foram entregues a outros ganhadores.
Jornal Razão