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Endividamento sobe em maio e Brasil bate novo recorde

Pesquisa da CNC mostrou que mais de 81% das famílias possuem alguma dívida; cartão de crédito é apontado como vilão

Endividamento sobe em maio e Brasil bate novo recorde
Foto: Agência Brasil

O número de brasileiros com dívidas a pagar registrou um novo recorde em maio. É o que mostra a pesquisa mensal da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que contabilizou 81,6% de endividados no mês – maior patamar desde 2010, início da série histórica.

Segundo o levantamento, o endividamento cresceu em todas as faixas salariais, mas a pressão sobre o orçamento é mais nítida nas camadas de menor renda. Enquanto famílias que ganham até três salários registram 84,6% de endividamento, aqueles com renda superior a 10 salários mínimos somam 71,4%.

Ao todo, 17% das famílias se consideram "muito endividadas", maior percentual desde junho de 2024. Entre as principais modalidades de dívidas está o cartão de crédito (84,6%), devido aos juros. Em seguida, aparecem os carnês de loja (16,1%), o crédito pessoal (13,1%) e os financiamentos de casa (10%) e de carro (9,1%).

"O dado reforça o alerta vermelho na economia pelo fato de o cartão carregar a taxa de juros mais elevada do mercado: 428,3% ao ano no crédito rotativo", disse a CNC.

O percentual de inadimplência também mostrou crescimento, atingindo 29,9% em maio. Destes, 12,3% relataram não possuir condições de quitar as dívidas em atraso, patamar similar ao dos últimos três meses. Entre aqueles que possuem contas em atraso, quase metade (49,3%) reportou débitos vencidos há mais de 90 dias. O tempo médio de atraso, por sua vez, diminuiu para 65 dias.

Previsão para os próximos meses

As projeções da pesquisa apontam para a continuação da elevação do endividamento nos próximos meses, acompanhada de ligeiro crescimento das contas em atraso. Para inverter o cenário, a expectativa é o programa Desenrola 2.0, que visa a renegociação de dívidas.

"Diante das projeções da CNC que apontam novas altas do endividamento bruto nos próximos meses, as expectativas do mercado se voltam para o recém-lançado Desenrola 2.0. O programa federal traz a expectativa de repetir a desaceleração de indicadores, observada na primeira versão do programa, em 2023", disse a CNC.

 SBT NEWS

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