O casal Arno Gnadt (em memória), e Cicira Gnadt, de 86, também destacaram um vínculo com a história do hospital: Emílio Ernesto Gnadt (em memória), pai de Arno, e Augusto João Behm (em memória), pai de Cicira, também foram fundadores e participaram da reunião de fundação em 1956. Poucos anos depois, Arno e Cicira também se tornaram sócios. Eles recordaram que, em 1959, um dia antes do casamento, o casal realizou uma doação em dinheiro para auxiliar na obra. Os pais de Cicira ainda doaram um pinheiro e os pais de Arno contribuíram com recursos.
Dona Cicira lembra que, na inauguração em 1961, estava grávida. Seu Arno se recordou como ajudou na construção da estrutura, que era toda de madeira, resultado de muitas mãos unidas em prol da saúde local. “Precisávamos muito do hospital, por isso também entramos como sócios e ajudamos na construção”, resume Cicira.
Uma recordação de Cicira é de seu pai, Augusto João Behm, sendo atendido no local onde funcionava o antigo hotel, com o Dr. Walter Knor, assim guarda a lembrança da estrutura. Seu Arno relembrou que chegou a transportar pacientes com o jipe de seu pai para outras cidades. Outro episódio que marcou o casal aconteceu há décadas, quando uma mulher grávida, vítima de picada de cobra, chegou em estado grave ao hospital. Naquele episódio, Arno acompanhava dona Cicira que estava internada, e acabou doando sangue que ajudou a salvar a vida da gestante. A partir disso, passou a ser doador frequente, destacando a importância desta atitude para ajudar a salvar vidas. Dona Cicira participou por muitos anos de visitas aos pacientes com o grupo da OASE.
O hospital também se tornou lugar de nascimento para a família: o filho mais novo do casal, Jaison, nasceu na instituição, assim como muitos netos. Ao falar sobre as homenagens pelos 70 anos, eles destacaram o orgulho coletivo: “Maravilha merece esta homenagem. São pessoas que abraçaram a causa para que o hospital chegasse onde está hoje”.
Albano Honaiser e Alda Ana Giusti Honaiser
Albano Honaiser, 89 anos, carrega uma ligação familiar com a história do hospital. Seu pai, Francisco Honaiser (em memória) foi um dos fundadores e também contribuiu com a doação de materiais e apoio à construção da instituição. Isso inspirou Albano, ao lado da esposa Alda Ana Giusti Honaiser, 87 anos, a seguir o mesmo caminho.
Albano recorda da época em que o hospital iniciou os atendimentos realizados de forma provisória no espaço do hotel. Ao longo dos anos, participou da diretoria e manteve atuação constante em ações beneficentes, como a organização de festas. “É gratificante saber que, primeiro com meus pais, nossa família seguiu fazendo parte dessa história e vendo o hospital se tornar referência”, resume.
Destaca que, sempre que precisou de serviços de saúde, recebeu atendimento de excelência. “Vale todo o esforço dessas sete décadas para ajudar o hospital”, reforça. Seu filho mais novo, Rudimar, nasceu na instituição, assim como quatro de seus netos, o que reforça o vínculo da família com o hospital ao longo das gerações.
Bruno Tumelero
Bruno Tumelero, 90 anos, chegou a Maravilha em 1960 e lembra que, ao desembarcar na cidade, o hospital ainda funcionava de forma provisória em um hotel. A obra da nova estrutura já havia começado, e ele logo se integrou ao movimento comunitário que ajudava a erguer a instituição. “Ajudei a carregar telhas. Eram necessárias três pessoas para subir, uma ia passando para a outra até chegar em quem estava lá em cima”, recorda.
Seu Bruno também destaca que atuou como fiscal do hospital, e lembra dos médicos daquele período, como Dr. Orlando Valério Zawadski e Dr. Ivo Régis Thumé. Em um período em que carregava porcos de outras cidades, relembra que trouxe para Maravilha dez porcos diferentes dos comuns que haviam no município. Assim, doou um para o hospital realizar uma rifa, a qual foi vendida rapidamente.
Bruno também recorda que viajava frequentemente pela comunidade com camionete, transportando produtos e, sempre que possível, auxiliava com carona às pessoas que precisavam de atendimento médico. “Quanta gente levei para o hospital… todo mundo se ajudava”.