O crescimento acelerado das apostas online no Brasil já configura um problema social, econômico e de saúde pública, segundo o deputado estadual Neodi Saretta (PT). Em discurso na Tribuna da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) nesta terça-feira, dia 30, o parlamentar afirmou que as chamadas bets se tornaram o principal meio de endividamento das famílias brasileiras.
De acordo com Saretta, um levantamento do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (Ibevar), em parceria com a FIA Business School, apontou que as apostas online já superam os juros altos, o crédito tradicional e o tempo de permanência das dívidas em aberto como principal fator de comprometimento da renda das famílias.
“Um estudo revelou que as bets se tornaram o principal fator de endividamento das famílias brasileiras, superando os juros altos, o crédito tradicional e o tempo que a dívida fica em aberto somados", disse.
Publicidade e alcance das apostas
O parlamentar chamou atenção para a forte presença da publicidade de plataformas de apostas em transmissões esportivas, especialmente em jogos de futebol.
“Hoje, basta assistir a uma partida de futebol, especialmente da Copa do Mundo, para perceber o tamanho da exposição às apostas esportivas”, disse.
Autor da Lei Estadual nº 19.465/2025, que proíbe o acesso a sites de apostas em equipamentos e órgãos públicos de Santa Catarina, Saretta criticou a intensidade da divulgação dessas plataformas.
“São crianças, adolescentes, trabalhadores, aposentados e famílias inteiras sendo bombardeados por mensagens que vendem a ilusão do dinheiro fácil: ‘Faça sua aposta’, ‘Ganhe um dinheiro extra’, ‘Resolva seus problemas financeiros’”, declarou.
Crescimento de 500% em três anos
Segundo os dados apresentados pelo deputado, o mercado de apostas online movimentou cerca de R$ 240 bilhões em 2024 e aproximadamente R$ 350 bilhões em 2025 no Brasil. O setor teria registrado crescimento de cerca de 500% em apenas três anos, alcançando mais de R$ 30 bilhões mensais em 2026.
Outro levantamento citado, da CNDL e do SPC Brasil, indica que 39,5 milhões de brasileiros tiveram contato com apostas online nos últimos 12 meses. Desse total, cerca de 7,5 milhões de pessoas (19%) admitiram ter comprometido parte da renda com jogos de azar.
Saretta afirmou ainda que a inadimplência relacionada às apostas teria retirado cerca de R$ 143 bilhões do comércio varejista entre 2023 e 2026.
“Atrás de cada estatística existe uma família que deixou de comprar alimentos, de pagar a conta de luz, de adquirir medicamentos ou de honrar o financiamento da casa para tentar recuperar o dinheiro perdido em apostas”, afirmou.
O deputado também destacou os efeitos do jogo compulsivo sobre a saúde mental. “O jogo compulsivo é uma doença reconhecida, que compromete a saúde mental, provoca ansiedade, depressão e conflitos familiares”, disse.
Para enfrentar o problema, Saretta defendeu regras mais rígidas para o setor, incluindo limites à publicidade das plataformas, fortalecimento da educação financeira e ampliação da rede de atendimento em saúde mental.
“Não podemos permitir que a ilusão do ganho fácil destrua sonhos e comprometa o orçamento das famílias”, concluiu.
Portal SMO com Oeste Mais