Casas destruídas, árvores arrancadas, postes derrubados e moradores feridos. Esse foi o cenário deixado pelo tornado que atingiu o Noroeste do Rio Grande do Sul na tarde de terça-feira (28). Segundo uma avaliação preliminar da MetSul Meteorologia, o fenômeno pode ter registrado ventos de até 300 km/h e se enquadrar na categoria F3 da Escala Fujita, utilizada para classificar tornados conforme a intensidade dos danos provocados.
A classificação, no entanto, ainda não é oficial. A Defesa Civil do Rio Grande do Sul informou que a intensidade do tornado será definida somente após uma análise técnica detalhada dos estragos em toda a área atingida.
Os municípios mais afetados foram Senador Salgado Filho, Giruá, Santo Cristo e Cândido Godói. Ao longo da passagem do tornado, residências, galpões, empresas, silos, armazéns e diversas estruturas agrícolas foram destruídos ou sofreram danos severos.
Além dos prejuízos materiais, o fenômeno deixou pessoas feridas. Conforme a MetSul, as vítimas sofreram principalmente cortes, contusões e outros ferimentos provocados pelo desabamento de estruturas e pelo impacto de destroços lançados pela força dos ventos.
O tornado também provocou interrupções no fornecimento de energia elétrica em diferentes localidades e bloqueou rodovias com a queda de árvores e destroços. Equipes de emergência atuaram durante a noite e ao longo desta quarta-feira (29) para desobstruir os acessos e iniciar os trabalhos de recuperação.
As imagens registradas após a tempestade mostram um corredor estreito de destruição, característica típica da passagem de tornados. Em alguns pontos, casas de alvenaria ficaram praticamente reduzidas a escombros, enquanto telhados, móveis e outros objetos foram arremessados a dezenas de metros de distância. Árvores de grande porte também foram arrancadas pela raiz ou quebradas.
Segundo a MetSul, os danos observados são compatíveis com um tornado de categoria F3, que corresponde a ventos estimados entre 254 km/h e 332 km/h e potencial para provocar destruição severa. A empresa ressalta, porém, que a classificação poderá ser revisada após uma avaliação mais detalhada. Caso sejam constatados danos ainda mais intensos, o fenômeno poderá ser reclassificado para a categoria EF4 na Escala Fujita Aprimorada.
De acordo com a MetSul, o tornado foi gerado por uma supercélula, um tipo de tempestade altamente organizada e intensa, capaz de produzir fenômenos extremos como tornados, granizo de grande porte, vendavais e chuvas torrenciais.
A formação desse sistema foi favorecida pela combinação de calor, elevada umidade, avanço de uma frente fria e fortes variações na velocidade e na direção dos ventos em diferentes níveis da atmosfera, condições que aumentam significativamente o risco de tornados.