Uma nova ligação entre Santa Catarina e o Rio Grande do Sul pode transformar a logística de passageiros e cargas na região do rio Uruguai. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) pretende lançar ainda no segundo semestre deste ano o edital para a construção de uma ponte entre Itapiranga, no Extremo Oeste catarinense, e Barra do Guarita (RS), na BR-163.
Atualmente, a travessia entre os dois municípios depende de balsa. A nova estrutura deverá substituir esse modelo e facilitar o deslocamento entre as duas regiões.
Segundo o DNIT, a licitação está na fase final de preparação. Paralelamente, o processo de obtenção da licença ambiental junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) está em andamento.
O projeto não contempla apenas a construção da ponte sobre o rio Uruguai. A proposta prevê um complexo viário completo, com novos acessos e variantes nos dois lados da divisa entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Investimento será de R$ 379 milhões
A contratação deverá ocorrer por meio de licitação semi-integrada, modelo no qual o projeto executivo e a execução da obra ficam sob responsabilidade do mesmo contrato.
O empreendimento inclui uma ponte de aproximadamente 1,2 quilômetro de extensão, além de novos acessos rodoviários.
Em Itapiranga, está previsto um contorno com 8,5 quilômetros. No lado gaúcho, a variante terá aproximadamente 4,5 quilômetros.
Somadas, as intervenções representam cerca de 13 quilômetros de novas estruturas viárias, além da ponte sobre o rio Uruguai.
O investimento estimado para todo o empreendimento é de R$ 379 milhões.
Como é feita a travessia atualmente
Hoje, quem precisa fazer a ligação entre o Extremo Oeste catarinense e o Noroeste do Rio Grande do Sul conta com a balsa ou precisa percorrer distâncias maiores por outras pontes.
Existem atualmente dois principais pontos de travessia rodoviária sobre o rio Uruguai na região.
Um deles está na BR-158, entre Palmitos (SC) e Iraí (RS). O outro fica em Goio-Ên, em Chapecó, na ligação entre a SC-480 e a RS-406.
Para quem sai de Itapiranga e precisa cruzar o rio por uma ligação rodoviária convencional, o deslocamento até Palmitos chega a aproximadamente 88 quilômetros antes de alcançar o Rio Grande do Sul. A alternativa mais direta é a travessia por balsa.
No sentido contrário, quem parte de Barra do Guarita e precisa chegar a Santa Catarina enfrenta cerca de 105 quilômetros de deslocamento rodoviário, também tendo a balsa como opção.
Ponte deve reduzir tempo e custos
A construção da ponte deverá representar mais do que a substituição da balsa por uma estrutura permanente. A expectativa é de que a nova ligação reduza distâncias, tempo de viagem e custos de transporte entre as duas regiões.
O impacto também deverá ser sentido no transporte de cargas. O Extremo Oeste catarinense e o Noroeste gaúcho possuem forte atividade agropecuária e industrial, com circulação constante de produtos entre os dois estados.
Conforme documento que integra o projeto básico, a nova ponte poderá contribuir para reduzir custos de transporte de passageiros e cargas comerciais, além de fortalecer a integração econômica entre os municípios e ampliar as oportunidades de desenvolvimento regional.
A obra é considerada estratégica para melhorar a conexão entre Santa Catarina e o Rio Grande do Sul e pode colocar fim a uma antiga dependência da travessia por balsa na região do rio Uruguai.
NSC