O diretor-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Leandro Safatle, declarou na terça-feira (4) que a agência pode aprovar até oito novas canetas emagrecedoras até o fim de 2026.
A expectativa da agência é que a entrada de novos fabricantes aumente a concorrência, reduza o custo dos medicamentos e ajude a combater a venda ilegal de produtos, incluindo os trazidos do Paraguai sem registro sanitário.
“Quando você amplia a concorrência, gera novos entrantes regularizados, com produtos cuja eficácia, segurança e qualidade foram avaliadas pela Anvisa. Isso tende a reduzir os preços, ampliar o acesso e ocupar boa parte do espaço hoje explorado pelo mercado irregular”, afirmou Leandro à Folha de S. Paulo.
Anvisa acelera análise de novas canetas emagrecedoras
Segundo a agência, das 24 canetas incluídas no edital de priorização publicado em agosto do ano passado, seis já receberam autorização para comercialização no Brasil e cinco tiveram os pedidos negados
Para acelerar o processo, a Anvisa adotou um modelo de avaliação otimizada, no qual diferentes equipes técnicas trabalham simultaneamente na análise dos pedidos de registro. Segundo a agência, a medida aumenta a produtividade sem reduzir os critérios de segurança, eficácia e qualidade exigidos para aprovação dos medicamentos.
Anvisa mira mercado ilegal de canetas
Além da redução de preços, a Anvisa avalia que a regularização de novos produtos pode enfraquecer o mercado clandestino de medicamentos.
Segundo a agência, parte das canetas vendidas ilegalmente entra no país sem controle sanitário e pode ser transportada em condições inadequadas de armazenamento, inclusive sem refrigeração. Há relatos de produtos escondidos em veículos, como pneus, durante o transporte.
A estratégia da agência é ampliar a disponibilidade de medicamentos registrados e, ao mesmo tempo, manter operações de fiscalização em parceria com a Polícia Federal, Receita Federal e Polícia Rodoviária Federal para combater o contrabando.
A expectativa da Anvisa é que, com mais opções disponíveis no mercado formal, consumidores tenham acesso a produtos avaliados pelos órgãos sanitários e que o espaço ocupado por medicamentos irregulares seja reduzido.
Queda da patente do Ozempic abriu espaço para concorrentes
Ainda segundo o Folha de S. Paulo, a ampliação do mercado ocorre após a queda da patente do Ozempic, em março, permitindo que outros medicamentos à base de semaglutida passassem a buscar aprovação no país.
Na avaliação da Anvisa, o aumento do número de fabricantes autorizados deve ampliar a oferta de tratamentos para obesidade e diabetes e pressionar os preços para baixo.
Safatle afirmou ainda que o Brasil já possui uma das maiores quantidades de canetas emagrecedoras regularizadas entre as principais agências reguladoras internacionais.
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