Nesta quarta-feira, 2 de setembro, é celebrado o Dia Nacional da Kombi, um dos veículos mais emblemáticos da história da indústria automobilística brasileira. A data marca o início da produção nacional do modelo, em 2 de setembro de 1957, na fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo (SP).
A Kombi teve papel importante na própria implantação da Volkswagen no Brasil e foi o primeiro veículo efetivamente produzido pela montadora no país, antes mesmo do Fusca.
A história brasileira do modelo, porém, começou alguns anos antes. Em 1953, a Volkswagen iniciou suas atividades em um galpão localizado na Rua do Manifesto, no bairro do Ipiranga, em São Paulo.
Entre 1953 e 1957, foram montados no local 2.820 veículos, dos quais 552 eram Kombi. Na época, os automóveis eram montados a partir de componentes importados.
A produção efetivamente nacional começou em 2 de setembro de 1957, em São Bernardo do Campo. Naquele momento, cerca de metade dos componentes utilizados na Kombi já era fabricada no Brasil.
Nome significa veículo combinado
O nome Kombi é derivado da palavra alemã Kombinationsfahrzeug, expressão relacionada ao conceito de um veículo combinado, capaz de transportar tanto passageiros quanto cargas.
Essa versatilidade acabaria se tornando uma das principais características do modelo e ajudaria a explicar sua popularidade no Brasil.
As primeiras unidades nacionais eram equipadas com motor boxer de quatro cilindros, 1.200 cm³, refrigerado a ar e com 30 cv de potência.
Com o passar dos anos, a Volkswagen ampliou as configurações disponíveis. A versão com seis portas apareceu no início da década de 1960, enquanto a picape chegou em 1967, já utilizando motor 1.500 cm³ e sistema elétrico de 12 volts.
Kombi ganhou potência e novas versões
Em 1975, a Kombi passou por uma importante atualização visual e recebeu motor 1.600 cm³ de 58 cv.
Três anos depois, a adoção da dupla carburação aumentou a potência para 65 cv.
A década de 1980 também trouxe novidades. Em 1981, o utilitário passou a oferecer motor 1.6 a diesel e configuração de cabine dupla. No ano seguinte, surgiu a versão movida a etanol.
Além das mudanças mecânicas, a Kombi recebeu gradualmente melhorias relacionadas à segurança.
Em 1992, tornou-se o primeiro utilitário nacional equipado com catalisador e passou a contar com servo-freio a vácuo, freios a disco nas rodas dianteiras e válvulas moduladoras de pressão nas rodas traseiras.
Motor refrigerado a ar se despediu em 2005
Uma das maiores mudanças da história do modelo ocorreu no final de 2005.
Depois de décadas utilizando o tradicional motor refrigerado a ar, a Kombi passou a ser equipada com o motor 1.4 EA111 Total Flex, que permitia o abastecimento com gasolina, etanol ou qualquer combinação entre os dois combustíveis.
A mudança proporcionou aumento de potência e melhoria no consumo em comparação com a motorização anterior.
Produção brasileira terminou em 2013
Depois de mais de cinco décadas de fabricação, a história da Kombi produzida no Brasil chegou ao fim em agosto de 2013.
A retirada de linha ocorreu diante das novas exigências de segurança para veículos novos no país, que incluíam equipamentos que a Kombi não oferecia, como freios ABS e airbags frontais.
Para marcar a despedida, a Volkswagen lançou a série especial Kombi Last Edition, limitada a 1.200 unidades.
A edição de despedida se tornou um símbolo do encerramento de uma das mais longas trajetórias de um automóvel produzido no Brasil.
Kombi também tem data internacional
A relação dos admiradores com o modelo é tão forte que a Kombi possui mais de uma data comemorativa.
Além de 2 de setembro, considerado o Dia Nacional da Kombi por marcar o início da produção brasileira, a Volkswagen oficializou 2 de junho como Dia Internacional da Kombi.
Há ainda outra data histórica: 8 de março de 1950, quando começou a produção do modelo na Alemanha.
Foi na Alemanha que surgiu a primeira geração, conhecida como T1, desenvolvida a partir da arquitetura do Fusca.
História continua fora do Brasil
Embora a Kombi tradicional tenha deixado de ser produzida no Brasil em 2013, sua linhagem continuou evoluindo internacionalmente.
Desde o lançamento do modelo original, a família de utilitários da Volkswagen ultrapassou 12,5 milhões de unidades produzidas.
A fabricante também buscou transportar parte do conceito da Kombi para a era dos veículos elétricos com a ID. Buzz, minivan elétrica comercializada internacionalmente desde 2022.
Em 2023, durante as comemorações dos 70 anos da Volkswagen no Brasil, passado e futuro foram reunidos em uma campanha publicitária que colocou lado a lado a Kombi clássica e a ID. Buzz.
A Volkswagen chegou a trazer ao Brasil um lote limitado de 70 unidades da ID. Buzz por meio de um programa de assinatura. O modelo, entretanto, não permaneceu disponível comercialmente no mercado nacional.
Um veículo que entrou para a história brasileira
Mesmo fora de produção há mais de uma década, a Kombi continua sendo facilmente reconhecida nas ruas e mantém uma legião de admiradores e colecionadores.
Ao longo de mais de cinco décadas de produção nacional, o veículo foi utilizado por famílias, comerciantes, trabalhadores, empresas e prestadores de serviços, assumindo funções que iam do transporte de passageiros às atividades comerciais.
Essa versatilidade ajudou a transformar a Kombi em muito mais do que um automóvel. O modelo tornou-se parte da paisagem urbana e da memória afetiva de diferentes gerações de brasileiros.
Nesta quarta-feira (2), 69 anos após o início de sua produção nacional, a celebração do Dia Nacional da Kombi relembra a trajetória de um veículo que marcou a história da Volkswagen e da própria indústria automobilística brasileira.
CNN