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Luto infantil: como as crianças lidam com a morte?

Reação pode ser diferente conforme a idade e entendimento sobre a perda.

Luto infantil: como as crianças lidam com a morte?
Foto: Freepik

A morte é um assunto difícil para qualquer pessoa — e, para as crianças, pode ser ainda mais confuso e doloroso. O luto infantil se manifesta de formas diferentes da dos adultos e, muitas vezes, passa despercebido. Compreender como as crianças lidam com a perda é fundamental para oferecer acolhimento, escuta e apoio emocional nesse momento tão delicado.

“Aquela pessoa não existe mais? Para onde ela vai? Tem como voltar? Nunca mais vamos nos ver? Por que você está chorando?”... Estão entre as muitas as dúvidas das crianças sobre a morte.

O luto é a reação emocional que temos diante de uma perda. Essa reação é diferente de pessoa para pessoa e pode reunir os mais diversos sentimentos: raiva, desespero, melancolia, medo, angústia, tristeza, apatia.

Além de ser a reação à perda ou à morte de alguém, o luto infantil é a reação à própria percepção da finitude da vida. Ou seja: quando morre uma pessoa próxima, ou mesmo um animal de estimação, a criança percebe que a morte é real, e que outros entes queridos também se vão um dia.

O luto infantil é também o momento em que a criança presencia a fragilidade dos adultos à sua volta. Ela percebe que suas referências também sofrem e choram.

Como a criança entende a morte?

A compreensão do que é a morte caminha junto com o desenvolvimento cognitivo da criança. Dessa forma, a percepção do que está acontecendo tende a ser diferente conforme a idade.

  • ► Antes dos 3 anos, a criança percebe a morte apenas como ausência e falta – e pensa que ela pode ser revertida.
  • ► Entre os 3 e 5 anos, a criança fantasia mais sobre o tema e pode acreditar que pensamentos e palavras têm o poder de provocar ou evitar a morte. Assim, é comum que ela se sinta culpada caso venha a falecer alguém com quem ela tenha brigado ou a quem tenha desejado mal em algum momento.
  • ► Dos 5 aos 9 anos, a criança consegue entender a morte como algo objetivo, definitivo e inevitável, mas pode apresentar dificuldade em expressar os sentimentos. Ela pode começar a questionar as crenças da família em relação ao tema.
  • ► A partir dos 10 anos, ela consegue pensar a morte de forma mais abstrata e formular hipóteses sobre as causas, além de perceber o impacto da ausência nas outras pessoas. 

Mais do que a idade, as experiências que a criança tem com mortes podem influenciar o entendimento dela sobre o assunto. Ele também pode variar conforme a frequência com que o tema é abordado no seu entorno. Por isso, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) alerta que para saber como a criança realmente está percebendo uma situação de luto, é fundamental ouvir o que ela pensa sobre o tema.

Como falar sobre a morte para uma criança?

A compreensão do ciclo e da finitude da vida podem ser transmitidas de várias formas, mesmo antes de alguém próximo da criança falecer. Uma das formas é mostrar fotos antigas da família, relembrar histórias de pessoas que não estão mais entre nós, mas que deixaram boas memórias. Se a criança manifestar curiosidade, vale explicar por que a pessoa morreu e como você se sentiu, como fez para superar a perda.

Como contar para a criança que uma pessoa querida morreu?

Quando alguém próximo morre, aquilo que até então era apenas uma possibilidade distante, ou vista em filmes, se torna real. Nesse caso, não tem fórmula fácil: é uma notícia difícil de dar. Tampouco existe uma verdade absoluta sobre a morte – diferentes culturas e religiões apresentam suas versões e explicações. O que sabemos e precisamos explicar é que aquela pessoa não voltará a viver, pois seu corpo deixou de funcionar.

Conforme a SBP, é preciso ser honesto e aberto com as crianças sobre os sentimentos, pois elas percebem quando não estamos bem. Algumas metáforas como “virar estrelinha” e “ir morar no céu” podem ajudar na construção de uma narrativa afetiva com a criança. Porém, é preciso cuidado com expressões como “foi viajar” ou “está dormindo para sempre”. Elas podem provocar confusões de conceitos, deixando a criança com medo de dormir ou de viajar, por exemplo.

É indicado levar a criança a um funeral?

Essa é uma decisão que cabe a cada família, de acordo com seus próprios valores e rituais. Cerimônias de funeral ajudam a entender melhor o que é a morte e como ela é vista no seu meio.

Quais são as fases do luto infantil?

Negação, raiva, barganha, depressão e aceitação: a psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross descreveu essas cinco fases enquanto estudava como os adultos lidam com a morte. Nem sempre elas ocorrem de forma linear – os sentimentos podem ir e voltar muitas vezes.

No luto infantil, a definição de fases é ainda menos nítida. Cada criança pode reagir de forma diferente conforme o entendimento que tem sobre a morte. Dessa forma, é frequente que elas não sintam o mesmo tipo de baque que os adultos e sigam normalmente com suas rotinas. Isso não significa que a criança é insensível ou que não amava a pessoa que se foi. Na maioria das vezes, ela só precisa de um tempo maior para processar a informação da morte.

O acompanhamento psicológico profissional no caso do luto infantil ajuda a criança a entender os próprios sentimentos.

Reações emocionais do luto infantil

É importante reconhecer que cada criança é única e pode expressar sua dor de maneiras diferentes. No entanto, algumas reações emocionais comuns podem incluir ansiedade, hostilidade, pânico, culpa e negação.

É importante estar ciente dos possíveis sintomas físicos que as crianças podem experimentar durante esse período. No que diz respeito ao sono, é comum que as crianças em luto tenham dificuldade em dormir, o que pode resultar em uma sensação de cansaço constante durante o dia.

Além disso, algumas crianças podem apresentar mudanças no apetite. Outro sintoma físico comum do luto infantil são as dores físicas. Crianças em luto podem experimentar dores de cabeça, dores de estômago, dores musculares ou tensão em várias partes do corpo. Essas dores físicas são frequentemente um reflexo da angústia emocional que estão passando.

Oeste MAis 

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