Um dos fenômenos que mais influencia o tempo em Santa Catarina está dando sinais de que mudará em breve. As características de La Niña, que chegaram ao auge neste mês, devem começar a perder força em fevereiro até “se transformar” no oposto, o El Niño. O tamanho do impacto dessa mudança para o Estado ao longo de 2026 e a data em que ela ocorrerá, porém, ainda não estão totalmente claros para a ciência.
O que já é possível prever é o comportamento do clima do próximo trimestre, algo que foi analisado nesta semana pelo Fórum Climático, grupo formado por meteorologistas de diferentes instituições, entre elas a Defesa Civil e Epagri/Ciram, que se reúne mensalmente com esse objetivo.
Os profissionais explicaram que a temperatura em uma parte do Oceano Pacífico, que define a formação do La Niña ou El Niño, entrará em aquecimento nos próximos meses. Ou seja, atualmente abaixo de 0ºC, as águas vão se aproximando do 0ºC — o que é chamado de neutralidade — até chegar em 0,5ºC ou mais, o que configura o El Niño. Essa alteração do sinal entre negativo e positivo, no entanto, não acontece rápido demais.
As medições mostram que atualmente o La Niña é de fraca intensidade, já que não teve tempo suficiente para se concretizar (são necessários cinco meses consecutivos com a temperatura da água abaixo de -0,5ºC para que haja uma La Niña). Conforme os modelos estatísticos, o fenômeno vai perder força a partir de fevereiro. Em março, ao final do verão, a neutralidade provavelmente já estará estabelecida.
Esse cenário e outros fenômenos que influenciam o clima catarinense resultarão em um fevereiro que começará mais chuvoso, ao menos na primeira quinzena. A chuva nos primeiros dias ficará mais concentrada na região litorânea, mas na segunda semana se “espalha” para o restante do Estado. No geral, porém, espera-se que os próximos três meses tenham precipitação dentro da média para a época e de forma mais irregular, algo comum no verão.
Já sobre as temperaturas, enquanto fevereiro deve ser um mês com os termômetros marcando números normais para a estação, março e abril serão um pouco mais quentes que o esperado para o bimestre. Isso não significa que não podem ocorrer dias mais frios, mas episódios de “friaca” mesmo, com cara de inverno, devem ser registrados só a partir de maio.
Na metade do ano, o sinal pode inverter e indicar a formação do El Niño. Porém, devido ao tempo que ainda falta, nenhum modelo internacional consegue definir esse comportamento com certeza. Se a temperatura no oceano esquentar a partir do inverno, uma primavera ainda mais chuvosa pode se desenhar para Santa Catarina, mas só será possível cravar essa perspectiva quando surgirem novos dados, reforçam os pesquisadores.
O que é La Niña e El Niño
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o El Niño é o nome dado ao aumento na temperatura da superfície da água no Oceano Pacífico Equatorial, perto do Peru, fazendo ela evaporar mais rápido. O ar quente sobe para a atmosfera, levando umidade e formando uma grande quantidade de nuvens carregadas.
Com isso, no meio do Pacífico chove mais, afetando a região Sul do Brasil, pois a circulação dos ventos em grande escala, causada pelo El Niño, também interfere em outro padrão de circulação de ventos na direção Norte-Sul. Essa interferência age como uma barreira, impedindo que as frentes frias, que chegam pelo Hemisfério Sul, avancem pelo país. Logo, elas ficam concentradas por mais tempo na região Sul.
O contrário, o resfriamento dessas águas, é chamado de La Niña. Normalmente, o El Niño perde força, a temperatura no oceano volta ao “normal” — o chamado período de neutralidade — e gradativamente vai ficando mais fria, entrando no La Niña, ou mais quente, voltando para o El Niño.
Os efeitos do La Niña para Santa Catarina são o oposto do outro fenômeno, já que as chuvas caem em menor volume no Estado.
Quase La Niña
Para a ciência são necessários cinco meses consecutivos com a temperatura da água abaixo de -0,5ºC para que haja um La Niña. Como esse tempo ainda não ocorreu, neste momento se fala em uma “quase” La Niña, pois as temperaturas estão negativas e trazem impactos, mas ainda não há a formação oficial.