O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve discutir o tarifaço dos Estados Unidos, o combate ao crime organizado e minerais críticos em seu encontro com o mandatário norte-americano Donald Trump. A reunião está prevista para acontecer na próxima quinta-feira, 7.
O Palácio do Planalto ainda alinha com a Casa Branca os detalhes do encontro presidencial antes de confirmar a realização. A tendência é de que Lula viaje na quarta-feira (6) aos Estados Unidos, tenha a reunião com Trump como única agenda e retorne na sexta-feira, 8.
Hoje, parte residual dos produtos exportados ainda estão sob tarifas norte-americanas, como aço, alumínio, cobre e móveis. Além disso, existe a preocupação de que Trump volte a impor taxas ao Brasil por meio da chamada "seção 301", na qual os EUA investigam supostas práticas desleais de comércio brasileiras.
Em meados de abril, uma delegação de negociadores brasileiros foi a Washington debater a investigação – que mira temas como o Pix, big techs e etanol – com técnicos norte-americanos. Segundo apuração da CNN, a avaliação de diplomatas é de que a decisão final sobre a apuração caberá a Trump.
A cooperação internacional para combate do crime organizado também deve estar na pauta. Um tema correlato é a possibilidade ventilada pela Casa Branca de os Estados Unidos classificarem o PCC e o CV como terroristas, mas não há confirmação de que o assunto será debatido.
Os minerais críticos – essenciais para tecnologias do futuro, abundantes no Brasil e desejo dos Estados Unidos – também devem aparecer na pauta.
O governo discute junto ao Congresso um novo marco para o setor e defende regras que garantam a agregação de valor ao mineral nacionalmente. Enquanto isso, uma mineradora americana, a USA Rare Earth, impactou o mercado e anunciou no fim de abril a compra da brasileira Serra Verde, que explora terras raras, por US$ 2,8 bilhões.
Temas "geopolíticos" também devem estar em pauta. Lula vem publicamente divergindo de operações norte-americanas no Oriente Médio e Irã.
O possível encontro
O encontro entre os dois presidentes estava previsto para ocorrer desde o início do ano, mas a guerra no Oriente Médio adiou a ida de Lula.
De lá para cá, foi observado um acirramento na relação entre os países, especialmente devido à prisão e liberação do ex-deputado Alexandre Ramagem. Os Estados Unidos chegaram a pedir que um agente da Polícia Federal deixasse o país; e o Brasil, a retirar credenciais de um funcionário norte-americano.
Lula deve viajar acompanhado do ministro da Fazenda, Dario Durigan, disseram fontes próximas ao assunto à CNN Brasil. Segundo interlocutores, a tendência é de que o presidente brasileiro não leve à viagem um time robusto de negociadores.
CNN Brasil