Um erro na liberação de corpos pelo Instituto Médico Legal (IML) causou revolta e sofrimento a famílias em Florianópolis, após dois homens serem velados e sepultados pelas famílias erradas. O caso aconteceu em abril e será investigado pelo Ministério Público de Santa Catarina.
Uma das vítimas era Juliano Henrique Guadagnin, de 24 anos, morto em um acidente de motocicleta no dia 9 de abril. Outros dois homens, vítimas de homicídio, também tiveram os corpos recolhidos no mesmo dia e levados na mesma viatura até a Polícia Científica.
Segundo o relato das famílias, os corpos foram liberados de forma equivocada no dia seguinte. O corpo de uma vítima de homicídio foi entregue à família de Juliano, enquanto outro homem assassinado acabou sendo sepultado no local destinado a outra vítima.
“Eu velei uma pessoa achando que fosse meu filho, eu carreguei o caixão de uma outra pessoa achando que era meu filho”, desabafou a mãe de Juliano, Mônica Raquel Guadagnin.
Conforme a apuração, os caixões permaneceram fechados durante os velórios, sem que os familiares tivessem contato visual com os corpos. A troca só foi descoberta após um parente comparecer ao IML para reconhecimento.
Os corpos precisaram ser exumados e encaminhados novamente ao IML antes de serem sepultados corretamente no dia 13 de abril.
O relatório interno do IML atribuiu o erro ao agente funerário responsável pela retirada dos corpos. Já a funerária contestou a versão e afirmou que os documentos estavam corretos, mas os corpos haviam sido identificados de forma errada dentro da unidade.
A agente funerária Aline Thaise Nunes Mikna afirmou ainda que teria sido sugerido que os corpos fossem mantidos trocados para evitar que o erro viesse à tona, acusação negada pela Polícia Científica.
Em nota oficial, a Polícia Científica de Santa Catarina reconheceu o “erro operacional” na unidade de Florianópolis, pediu desculpas às famílias e informou que abriu investigação interna para apurar responsabilidades.
O órgão também informou que revisa os protocolos de identificação, custódia e liberação de corpos para evitar que situações semelhantes voltem a acontecer.
G1