Laíla Ribeiro e Leonardo Corrêa, ambos de 37 anos, estão à frente do Fazendas Bioma (Foto: Leonardo Corrêa, Arquivo pessoal)
O casal Laíla Ribeiro e Leonardo Corrêa montaram a primeira fazenda vertical no quarto de casa, no Campeche, em Florianópolis. Para sair de lá, a estrutura deu trabalho: não passou pela escada e precisou ser baixada pela varanda, com cordas. O protótipo foi o ponto de partida da Fazendas Bioma, empresa de microverdes que hoje fatura R$ 50 mil por mês e prepara a expansão por franquias.
Atualmente, a operação ocupa uma sala comercial no mesmo bairro do Sul da Ilha, com quatro fazendas verticais e capacidade para produzir 1.850 bandejas por semana. São cultivadas entre 20 e 25 espécies de microverdes, que abastecem 95 pontos de venda, entre restaurantes e supermercados. As vendas variam de 1.200 bandejas semanais na baixa temporada a 1.600 na alta.
“A nossa ideia foi sempre crescer”, diz Leonardo. Agora, o casal prepara a expansão por franquias, com a meta de chegar a 30 unidades nos próximos dois anos.
O que são os microverdes cultivados pelo casal
Os microverdes são hortaliças colhidas nos primeiros estágios de desenvolvimento. Na Fazendas Bioma, são comercializados ainda vivos, plantados em substrato, e podem ser usados em saladas, sanduíches, massas e outros pratos.
Entre as espécies cultivadas estão:
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Mostarda
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Rúcula
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Beterraba
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Brócolis
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Rabanete
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Repolho roxo
Repolho roxo é um dos cultivos do Fazendas Bioma (Foto: Leonardo Corrêa, Arquivo pessoal)
Casal desenvolveu tecnologia para automatizar o cultivo
Na empresa, a produção ocorre em ambiente fechado, dentro de estruturas com iluminação artificial, irrigação automatizada e controle de temperatura e umidade. O modelo de fazenda vertical permite cultivar em uma sala comercial, com bandejas organizadas verticalmente.
Um dos diferenciais da Fazendas Bioma é o uso de um biofilme com sementes incorporadas, que se dissolve em água e é aplicado sobre uma manta de fibra de coco. A solução permite padronizar a produção e facilitar o plantio. Segundo Leonardo, a tecnologia tem pedido de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
A gente foi evoluindo a empresa e olhando para os gargalos de produção. Um produtor convencional de microverdes leva muito tempo semeando manualmente. Cada espécie tem uma densidade, tem que pesar, etc. Também faz a irrigação manual, tem que regar de uma a duas vezes por dia toda a produção. A gente foi olhando esses gargalos e buscando soluções
Além disso, todo o funcionamento da fazenda é monitorado por um aplicativo desenvolvido pelos próprios empreendedores. A plataforma controla diferentes etapas da operação, desde a iluminação e a irrigação até o planejamento da produção, cruzando dados de clientes com a produção e indicando exatamente quando cada bandeja deve ser plantada para atender à demanda.
“A gente vende um estoque futuro de produção. Então, o microverde ainda está na fazenda, mas já está vendido”, explica Leonardo.
Ideia de fazendas verticais surgiu durante MBA
Laíla, que é advogada, e Leonardo, engenheiro de produção civil, viveram uma temporada em São Paulo antes de decidir retornar a Santa Catarina em busca de uma vida mais tranquila. A ideia de empreender com microverdes surgiu quando Laíla conheceu o conceito de fazendas verticais durante um MBA em gestão do varejo.
A gente queria empreender em alguma coisa. (…) Aí a gente começou a pesquisar. Foi um final de semana no YouTube. E daí a gente descobriu os microverdes. Que era algo possível de ser feito nas fazendas verticais e também um produto incrível, muito nutritivo, etc. E a gente falou: “Ah, vamos tentar produzir!
O casal montou o protótipo em casa e, em 2019, foi selecionado para um programa de aceleração de startups de equipamentos, onde aprimorou a tecnologia e começou a buscar clientes. Foi na transferência da estrutura para o espaço do programa que a fazenda precisou descer pela varanda.
Desde então, foram anos de testes e melhorias na tecnologia. Em 2022, a startup recebeu um aporte-anjo de R$ 400 mil. Dois anos depois, obteve mais R$ 702 mil pelo programa Tecnova, com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc).
Após crescer em Florianópolis, empresa mira 30 franquias em dois anos
O crescimento da demanda levou o casal a ampliar a estrutura até chegar às quatro fazendas verticais na sala comercial. Agora, a empresa prepara a expansão por franquias. Já vendeu um equipamento para Foz do Iguaçu, no Paraná, e licenciou a marca para um casal de Gramado, no Rio Grande do Sul.
A maior parte do país não tem esse produto na gôndola, as pessoas não conseguem comprar.
O modelo de franquia prevê salas comerciais com pelo menos três fazendas para abastecer cada região. Segundo o empreendedor, há interessados em cidades do Paraná, de São Paulo e do Rio Grande do Sul.
“A nossa meta é, nos próximos 24 meses, ter 30 franquias. E em cinco anos, chegar a 150”, afirma Leonardo.
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NSC
