Os avanços da medicina têm transformado a prevenção, o diagnóstico e o tratamento de doenças urológicas. Tecnologias como inteligência artificial, cirurgias robóticas e exames de imagem mais precisos ampliam as possibilidades de cuidado. Ao mesmo tempo, o autodiagnóstico e o uso de hormônios sem indicação médica acendem um alerta para a saúde masculina.
Em entrevista ao programa Up Saúde, o urologista Dr. Giovanni Delevati abordou temas importantes, como a prevenção do câncer de próstata, a reposição de testosterona e os fatores que podem comprometer a saúde sexual dos homens.
Um dos assuntos discutidos foi a importância do exame de toque retal na avaliação da próstata. Apesar da evolução dos exames laboratoriais e de imagem, o procedimento continua sendo indicado em situações específicas, pois o PSA, exame de sangue utilizado na investigação de alterações prostáticas, não identifica sozinho todos os casos. A necessidade e a frequência das avaliações devem ser definidas individualmente, conforme o histórico e os fatores de risco de cada paciente.
Outro ponto de atenção é o uso indiscriminado de testosterona. Cansaço, desânimo e diminuição da libido nem sempre estão relacionados à deficiência hormonal. Estresse, ansiedade, sono inadequado e hábitos de vida pouco saudáveis também podem provocar esses sintomas. Por isso, antes de iniciar qualquer tratamento, é fundamental investigar as causas com acompanhamento especializado.
Segundo o médico, o uso de testosterona sem necessidade pode suprimir a produção natural do hormônio, comprometer a fertilidade e causar alterações no sangue, além de outros efeitos adversos. A prática de atividades físicas, especialmente a musculação, aliada ao sono adequado e a hábitos saudáveis, contribui para a saúde geral, mas não substitui o tratamento médico quando existe deficiência hormonal comprovada.
A entrevista também destacou a disfunção erétil entre homens jovens. Embora fatores emocionais, como ansiedade e estresse, possam ter grande influência, o problema também pode estar associado a alterações circulatórias e outras condições de saúde. O consumo excessivo de álcool e determinados padrões de comportamento também podem interferir no desempenho sexual. Por isso, a dificuldade persistente de ereção merece avaliação profissional, inclusive para investigar possíveis fatores cardiovasculares.
Em relação à testosterona e ao câncer de próstata, o especialista explicou que a relação entre os dois é mais complexa do que se acreditava no passado. A reposição hormonal não deve ser considerada uma causa automática da doença, mas exige avaliação individualizada, investigação de contraindicações e acompanhamento médico. Pacientes com câncer de próstata conhecido precisam de avaliação especializada antes de qualquer consideração sobre terapia hormonal.
A orientação central é que a prevenção da saúde masculina não se resume a um único exame ou medicamento. Consultas periódicas, controle da pressão arterial, da glicemia e do colesterol, alimentação equilibrada, atividade física e atenção aos sinais do organismo são medidas importantes para reduzir riscos e melhorar a qualidade de vida.
*Cuidar da saúde masculina é uma atitude preventiva.* Evitar a automedicação e buscar orientação profissional diante de sintomas persistentes são passos fundamentais para um envelhecimento mais saudável e seguro.
A entrevista completa com o urologista Dr. Giovanni Delevati está disponível nos conteúdos do programa Up Saúde.