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Mesmo com margens em alta, crise da suinocultura brasileira persiste

A peste suína africana dizimou os rebanhos suínos da China entre 2018 e 2019, o que levou o país a intensificar as importações da proteína

Mesmo com margens em alta, crise da suinocultura brasileira persiste
Foto: freepik

A queda dos preços do milho e do farelo de soja, dois dos principais insumos da suinocultura, fez com que os criadores voltassem a ter margens positivas na atividade. No entanto, esse quadro ainda não é suficiente para o setor se recuperar dos efeitos da crise dos três últimos anos, período em que a China reduziu suas compras de carne suína brasileira.

A peste suína africana dizimou os rebanhos suínos da China entre 2018 e 2019, o que levou o país a intensificar as importações da proteína. Mas, passada a crise sanitária, a produção chinesa voltou a crescer — e a recuperação ocorreu com mais rapidez do que se previa. Com isso, os chineses diminuíram as importações de 2021 em diante, o que afetou diretamente os suinocultores brasileiros que investiram para ampliar a oferta, mas que depois não conseguiram repassar as despesas e escoar toda a produção.

“A relação de troca para compra de insumos melhorou. O momento é de pegar essa margem que a gente tem hoje apertada, mas positiva, e colocar a casa em ordem para ela não cair no chão. É assim que vejo como produtor”, disse Luiz Roberto Miotto, proprietário da Granja Biriba’s, que cria matrizes de suíno no oeste do Paraná.

Sem dar detalhes sobre o tamanho do passivo que a granja acumulou durante a crise do segmento, Miotto acredita que precisará de pelo menos mais dois anos para conseguir equilibrar as contas e ter um fluxo de caixa saudável, com espaço que permita a ele ampliar as operações. “Hoje, nosso objetivo não é investir para aumentar a produção. A gente trabalha com matrizes reprodutoras, e estamos investindo apenas em genética, para ganho de eficiência”, afirmou.

O presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs), Valdecir Luis Folador, disse que o custo com alimentação animal também caiu no Estado, mas salientou que os investimentos em produção só vão ocorrer em projetos que já estavam previstos, e não como resultado da melhoria das margens. “Vai ter um aumento pequeno da oferta, tudo dentro da normalidade. De 2022 para 2023, o crescimento dos abates não chegou a 2%”, disse ele.

Segundo Folador, no Rio Grande do Sul, 75% dos suinocultores trabalham em regime de integração com indústria, sistema em que a empresa banca despesas como o valor do animal e a alimentação, deixando para o produtor apenas a responsabilidade pela criação. Os 25% restantes são suinocultores independentes.

Nos dois grupos, a percepção é de que o foco neste início de ano tem sido o pagamento de débitos. “O produtor que está fora do sistema integrado está estabilizando as contas, fazendo caixa. E nas próprias empresas, integradoras, como carregam todo o custo de produção, também há um sentimento de recompor caixa, de buscar estabilidade”, pontuou Folador.

Losivanio Luiz de Lorenzi, que preside a Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), ressalta que a perda no poder de compra do consumidor brasileiro tem limitado o aumento do consumo de carne suína. “Nós não precisamos aumentar muito a produção porque não vamos ter para quem vender, e as exportações também não vão crescer muito”, disse. “Por isso, nós da associação recomendamos aos criadores cautela nos investimentos em matrizes”.

Lorenzi acredita que os preços dos suínos precisariam ter uma reação mais significativa para que o segmento conseguisse, de fato, deixar a crise para trás. E o que tem acontecido com as cotações do animal é justamente o oposto, segundo ele: o valor médio do suíno de 115 a 120 quilos, que era de R$ 7,60 por quilo em 2021, é hoje de R$ 6,40.

Esse intervalo de tempo coincide com o período em que as exportações da proteína para o mercado chinês diminuíram. Os embarques de carne suína brasileira à China somaram 533,7 mil toneladas em 2021, caíram para 460,2 mil no ano seguinte e, em 2023, foram de 388,6 mil toneladas, de acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Isso significa que, em dois anos, a queda foi de 27%.

“Cresceu muito a produção [no Brasil] por causa da peste suína [na China]. Todos os países que produzem suínos ficaram com os olhos voltados para os chineses e em como eles retomaram a produção com rapidez, diminuindo as importações. Muitos produtores brasileiros ficaram em crise”, afirmou Lorenzi.

Segundo ele, um dos desdobramentos positivos desse cenário foi o aumento da pulverização das exportações brasileiras. “Havia uma concentração de embarques para a China, mas agora muitos mercados importadores se tornaram mais relevantes”, disse.

Neste ano, até março, o preço médio do suíno vivo acumulou queda de 2,52%, para R$ 6,20 por quilo, conforme dados da consultoria Agrifatto. Já as cotações de milho e farelo de soja recuaram ainda mais — nesse período, os preços dos dois insumos caíram 10,2% e 15%, respectivamente.

“A relação de troca para os produtores do Sul do país atingiu 9,22 quilos por saca de milho. O patamar histórico é de 11,3 quilos por saca”, disse Yago Ferreira, analista da Agrifatto.

No caso do farelo de soja, a relação de troca está em 340 quilos por tonelada, proporção inferior à média histórica, de 362 quilos por tonelada. “Ou seja, atualmente, o suinocultor está com boas relações de troca no Sul”, acrescentou o especialista. “E a tendência é que esse padrão de margens se mantenha”. Os três Estados da região dominam a produção de suínos no país.

Revista Globo Rural 

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