Santa Catarina chegou à marca de 29 prefeitos presos desde agosto de 2020, número que representa quase 10% dos 295 municípios catarinenses. Os casos ocorreram ao longo de cinco anos e meio, envolvendo gestores municipais que estavam no exercício do cargo ou que se tornaram ex-prefeitos no decorrer das investigações.
O caso mais recente foi registrado na manhã de quinta-feira (8), com a prisão do prefeito de Garopaba, Júnior de Abreu Bento (Progressistas), durante a Operação Coleta Seletiva, deflagrada pela Polícia Civil. A investigação apura um suposto esquema de corrupção, fraudes em licitações e irregularidades em contratos públicos, especialmente relacionados ao serviço de coleta de lixo no município do Litoral Sul catarinense. O prefeito foi alvo de prisão preventiva, além do cumprimento de outros mandados judiciais.
Desde 2020, Santa Catarina passou a figurar entre os estados com maior número de prefeitos presos no país, resultado de uma série de operações de grande repercussão, conduzidas principalmente pelo Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) e pela Polícia Civil. Além das prisões, houve casos de afastamento do cargo, cumprimento de mandados de busca e apreensão e investigações envolvendo ex-prefeitos.
A sequência teve início em agosto de 2020, com a Operação Et Pater Filium, que revelou esquemas de corrupção em municípios do Planalto Norte. Na sequência, ações como as operações Mensageiro, Travessia, Terra Nostra, Fundraising, Caronte, Limpeza Urbana e, mais recentemente, Coleta Seletiva, atingiram gestores municipais de diversas regiões do Estado.
Em comum, as investigações apontam padrões semelhantes de irregularidades, como fraudes em processos licitatórios, pagamento de propina, favorecimento de empresas, desvio de recursos públicos e formação de organizações criminosas envolvendo políticos, empresários e servidores. Grande parte dos casos está relacionada a contratos de serviços essenciais, como coleta de lixo, limpeza urbana, obras públicas, saúde e educação.
As prisões atingiram prefeitos de diversos partidos políticos, entre eles MDB, PP, PSD, PL, PT, Republicanos, PSDB, Podemos e Patriota, sem concentração em uma região específica. Há registros no Litoral, Sul, Norte, Vale do Itajaí, Oeste e Serra catarinense. Em alguns episódios, as prisões foram convertidas posteriormente em medidas cautelares; em outros, os prefeitos já deixaram o cargo ou foram condenados em instâncias judiciais, enquanto parte ainda responde aos processos.
Os 29 prefeitos presos em Santa Catarina desde 2020
WH3 com NSC