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Família contesta laudo e denuncia suposto erro médico em morte de bebê de 9 meses em SC

A família alega que houve erro médico na morte do bebê e o caso ainda é investigado

Família contesta laudo e denuncia suposto erro médico em morte de bebê de 9 meses em SC
Foto: Divulgação

O pequeno Leonardo Boaski Bueno, de 9 meses, morreu após passar por atendimento em uma unidade de pronto atendimento, em São Bento do Sul, na última terça-feira (13). A família alega que houve erro médico na morte do bebê e o caso ainda é investigado.

Atendimento na UPA

Taynara Padilha Boaski Bueno descreve Leonardo como o “gêmeo tranquilo”. Ele nasceu de uma gestação gemelar saudável, que também trouxe ao mundo o pequeno Bernardo. A mãe conta que os irmãos foram deixados sob o cuidado de uma tia no dia 13 de janeiro, para que ela pudesse trabalhar.

— Quando eu cheguei para buscar eles, ela falou que ele [o Leonardo] estava com diarreia e vomitando. Esperei meu pai chegar, aí eu fui direto para a UPA. [Na unidade] ele foi classificado com a pulseirinha amarela — conta Taynara.

Conforme o Protocolo de Manchester, a classificação mais comum seguida por unidades de saúde no Brasil, a pulseira amarela significa um caso urgente, quando o atendimento deve ocorrer dentro de 60 minutos.

— Quando ele foi atendido, a médica perguntou o que ele tinha e eu falei. Ele tinha pegado um pouquinho de diarreia nele, eu até cheguei a mostrar para ela, só que que ela falou: “Ah, deve ser alguma coisa que ele comeu”. E só, ela prescreveu remédios. Liberou, não examinou direito, só pediu para deitar ele na maca e viu a barriga — relembra.

A mãe conta que saiu da UPA e foi direto para uma farmácia comprar os medicamentos indicados pela profissional. Ela afirma que iniciou as doses no mesmo momento. No entanto, Leonardo ainda estava mal na quarta-feira (14) pela manhã.

Durante a tarde, a família decidiu levar o bebê novamente à UPA. No atendimento, Leonardo recebeu a pulseira verde.

— Aí esperamos até a médica atender, foi a mesma médica. E ela perguntou o que ele tinha, aí eu falei: “Tá com diarreia e tudo que ele come, ele vomita. O olho dele tá meio que afundando”. Aí ela pediu para o colocar na maca. Ela começou a olhar para ele e perguntou o que eu achava [sobre a situação]. Eu fiquei: “o que eu vou achar, né?”. Ela disse: “É, mas intuição de mãe, né?”. Eu falei para ela que a unha dele estava meio esbranquiçada. Aí ela foi ver os batimentos dele, foi cronometrar. Assim que ela cronometrou, já levou ele para uma sala de observação — relata.

Segundo a mãe, as enfermeiras também checaram a frequência cardíaca e tentaram colocar o soro em uma das mãos, mas não conseguiram. Taynara perguntou se não daria para colocar no pé, conselho que foi seguido pelas profissionais. Da mesma forma, ninguém conseguiu acessar uma veia do bebê.

— Até que uma hora pegaram [a veia] e levaram para uma sala de emergência. E depois falaram que a médica ia falar comigo. E foi passando as horas e ninguém falava comigo. Falavam com os outros, os outros vinham me perguntar se ele ia para Joinville ou se ia para onde. Eu falava que ninguém veio falar comigo — relembra.

Taynara conta que após alguns momentos, a médica foi até ela para contar que Leonardo já estava em um quadro grave e afirmou que ele seria transferido para um hospital da cidade. Ela pediu para que a família fosse de carro até o local, já que a equipe médica precisaria acompanhar o menino dentro da ambulância.

Já no hospital, o quadro de Leonardo continuou a piorar, mas os profissionais não explicaram o que estava acontecendo com o menino. A equipe médica afirmou que seria necessário transferi-lo para o Hospital Infantil Dr. Jeser Amarante Faria, em Joinville. Na unidade, o bebê foi levado direto para uma sala de emergência.

— Às 2h da madrugada a médica veio falar comigo, falou que o pulmão dele estava bem. Aí eu estava criando esperança, pensei que eles já tinham estabilizado ele. Então ela falou que o coração dele estava muito fraco, aí eles colocaram adrenalina para aumentar e depois de 30 minutos ele morreu — conta a mãe.

Denúncia e investigação

O laudo da morte do pequeno Leonardo apontou causa natural indeterminada. A família contesta essa informação e alega que houve erro médico no atendimento ainda na UPA de São Bento do Sul.

À NSC TV, a mãe informou que que vai registrar o caso na Polícia Civil. Em nota, a Prefeitura de São Bento do Sul se solidarizou com a família e informou que acompanhará todo o processo de apuração sobre o caso.

Profissionais afastados

Já o Instituto Maria Schmitt (IMAS), responsável pela administração da UPA, afirmou que os profissionais envolvidos foram temporariamente afastados de suas atividades assistenciais “em caráter preventivo, até a conclusão da análise dos fatos, sem qualquer juízo de valor sobre responsabilidades.”

“Os atendimentos realizados na unidade seguem protocolos assistenciais e de classificação de risco vigentes, conduzidos por profissionais legalmente habilitados. Por respeito ao sigilo médico, à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) e à privacidade do paciente, familiares e profissionais envolvidos, não serão divulgados detalhes clínicos ou pessoais, tampouco comentários que possam antecipar conclusões ou interferir na apuração”, afirmou o IMAS em nota.

NSC Total

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