O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas) deflagrou na manhã de terça-feira, dia 20, a segunda fase da Operação Entre Lobos, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa envolvida em estelionato contra idosos e lavagem de dinheiro.
A ação foi realizada em apoio à investigação conduzida pela Promotoria de Justiça da Comarca de Modelo. Ao todo, 13 mandados de busca e apreensão foram cumpridos nos municípios de São Miguel do Oeste, Caibi, Chapecó, no Oeste catarinense; Lages, na região serrana; Itajaí, no Litoral catarinense; e São José, na Grande Florianópolis.
A Justiça também determinou o bloqueio de contas bancárias dos investigados, no valor de até R$ 9,6 milhões, além da apreensão de veículos de luxo. As ordens judiciais foram expedidas pela Vara Estadual de Organizações Criminosas.
Além disso, foram impostas medidas cautelares aos investigados, como o monitoramento eletrônico de quatro envolvidos, a suspensão do exercício de funções nas empresas investigadas e a proibição de solicitar ou receber valores por meio de alvarás judiciais ligados a empresas de fachada do grupo.
Conforme o Gaeco, entre os alvos da operação estão quatro advogados. O cumprimento das ordens ocorreu com a presença de representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Durante a ação, foram apreendidos dez celulares, quatro veículos de luxo, dois computadores, quatro pendrives e diversos documentos.
Como funcionava o golpe
→ A investigação mostrou que o grupo era dividido em cinco núcleos com funções específicas:
→ Liderança e estratégia: coordenava o esquema e controlava o dinheiro;
→ Financeiro: administrava pagamentos, contratos e movimentações bancárias;
→ Jurídico: formalizava processos e dava aparência de legalidade;
→ Empresarial: operava empresas falsas para “comprar” os créditos;
→ Captação: abordava as vítimas, geralmente aposentados, oferecendo falsas vantagens.
De acordo com as investigações, após a primeira fase da operação, deflagrada em julho do ano passado, foi identificada uma sofisticada estrutura de lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça criada para manter o esquema criminoso em funcionamento e garantir o recebimento de valores ilícitos. Ainda foi apurada a criação de uma nova empresa de fachada, usada para aplicar golpes em idosos por meio da compra de cessões de créditos judiciais em ações bancárias.
A operação é um desdobramento da primeira fase da Operação Entre Lobos, realizada em 22 de julho de 2025, em cinco estados brasileiros: Santa Catarina, Ceará, Rio Grande do Sul, Bahia e Alagoas. O grupo é investigado por crimes de estelionato contra pelo menos 280 idosos em situação de vulnerabilidade, além de organização criminosa, patrocínio infiel e lavagem de dinheiro.
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