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Agricultor de 83 anos aguardou mais de cinco décadas até conquistar sua escritura em Flor do Sertão

Lar Legal Rural assegura títulos de propriedades para 67 agricultores no Oeste

Agricultor de 83 anos aguardou mais de cinco décadas até conquistar sua escritura em Flor do Sertão

Criado há três anos, o programa Lar Legal Rural muda uma realidade que ainda atinge milhares de propriedades em Santa Catarina. Estimativas do TJSC, Faesc e Fetaesc apontam que mais de 100 mil imóveis rurais no estado permanecem sem matrícula, o que impede o acesso a políticas públicas e limita o desenvolvimento das atividades produtivas. Esta era a realidade do agricultor de Flor do Sertão, Amantino Dall’Agnol, 83 anos. Durante entrega realizada pelo programa no município e em São Domingos, ele recebeu a matrícula do imóvel, após uma luta de 55 anos. 

As entregas foram realizadas na região Oeste nos  dias 4 e 5 de maio, contemplando 67 famílias produtoras rurais: 47 matrículas em São Domingos e 20 em Flor do SertãoCom as escrituras dos imóveis, os produtores têm garantidos seus direitos, como acesso a energia elétrica, emissão de nota fiscal e segurança jurídica sobre as áreas. 

São Domingos

Em São Domingos, a solenidade aconteceu no Centro de Eventos e Cultura Vereador Valcino Lodi. O coordenador estadual do programa, desembargador Selso de Oliveira, participou e ressaltou a expansão das ações no estado. “O Lar Legal Rural busca regularizar pequenas propriedades de economia familiar que enfrentam dificuldades para obter documentação. E o Poder Judiciário atua para resolver os problemas das pessoas. As entregas avançam em várias regiões, e São Domingos integra esse movimento, que deve alcançar muitos municípios neste ano. É nossa obrigação fazer com que esse direito chegue a todos que precisam”, disse.

O programa Lar Legal Rural é mantido em parceria com a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc). A ação também envolve a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetaesc) e as prefeituras. O vice-presidente de Secretaria da Faesc, Enori Barbieri, destacou que a decisão judicial que sustenta o programa resolve impasses históricos. “O produtor não conseguia nem ligar energia elétrica, porque as concessionárias exigem a matrícula. Também não tinha acesso a financiamentos, pois não podia dar a terra como garantia. Além disso, muitos corriam risco de perder o bloco de produtor rural e enfrentar dificuldades até na aposentadoria. Com a decisão do Tribunal de Justiça, o cartório de registro de imóveis faz a matrícula e o produtor passa a ter todos os direitos, como qualquer cidadão”, explicou. 

Entre os beneficiados está o produtor Olir Ferrari, do Distrito de Maratá, em São Domingos. Ele recebeu a escritura de uma área de sete hectares, onde cultiva grãos há cerca de 10 anos. Até então, possuía apenas contrato de compra e venda. “Agora tenho o documento. Posso financiar, investir mais e trabalhar com a segurança de que a terra é minha”, relatou.

Participaram do evento o juiz diretor do foro da comarca de São Domingos, Lucas Gonçalves Ruiz, o juiz substituto Bruno Diez Flores e o prefeito de São Domingos, Márcio Grosbelli.

Flor do Sertão

Em Flor do Sertão, no Extremo Oeste, a ação contou com a parceria da Prefeitura, da Faesc, da Fetaesc e do Programa Solo Seguro Favela, além do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Maravilha, que atende também o município. 

Esse primeiro grupo beneficiado iniciou sua trajetória há cerca de dois anos, com a adesão ao programa e a organização da documentação na Secretaria Municipal da Agricultura. O processo foi protocolado no Tribunal de Justiça em janeiro de 2025 e culminou agora com a entrega oficial dos documentos. Atualmente, outros 30 agricultores estão inscritos e seguem em fase de organização documental.

Entre as histórias que emocionaram o público durante a entrega dos títulos estava a da família Dall’Agnol. De posse da matrícula definitiva das propriedades, oficializada pelo Registro de Imóveis, o agricultor Amantino Dall’Agno consegue registro no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Sua filha, Ida Dall’Agnol, contou que a família aguardava há mais de meio século pela regularização da propriedade. Segundo Ida, a área surgiu a partir do desmembramento de outras propriedades, mas nunca recebeu matrícula própria, o que impediu a formalização do imóvel durante décadas. “Meu pai, Amantino, já está com 83 anos. São 55 anos de luta e de espera, é uma grande conquista para nossa família. Meu pai já não trabalha mais na propriedade, até porque não tem mais condições, mas é um sonho realizar isso enquanto ele ainda está aqui para curtir a escritura”, afirmou, emocionada.

Além do desembargador Selso de Oliveira, estiveram presentes o magistrado da comarca de Maravilha, Pedro Cruz Gabriel; o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Maravilha, Neivo Allebrandt; a oficial de registro de imóveis Elira Maria Gotardo; o representante da Faesc, Enori Barbieri; o representante da Fetaesc, Vanderlei Rutikoski; a representante da empresa executora dos serviços, Marina Secon; e o secretário municipal de Agricultura, Marcelo Ivandro Bendlin.
 
Lar Legal Rural

A iniciativa, regulamentada pela Resolução nº 7 do Conselho da Magistratura, de 8 de maio de 2023, é conduzida pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina e tem como principal objetivo garantir a entrega definitiva das matrículas de imóveis aos produtores rurais. A iniciativa foca em áreas de até 50 hectares, com custos baixos e parcelamento dos valores.  

 
TJSC
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