Os registros de violência contra mulheres no ambiente digital cresceram de forma expressiva no Brasil em 2026. Dados divulgados pelo Ministério das Mulheres apontam que a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 contabilizou 16.725 ocorrências entre janeiro e maio deste ano, um aumento de 188,6% em comparação com o mesmo período de 2025.
O levantamento revela que o ambiente digital se consolidou como um dos principais espaços onde ocorrem agressões contra mulheres. Antes ocupando a sétima posição entre os locais mais denunciados, a internet passou a figurar como o quinto principal ambiente de ocorrência de violência.
Entre os crimes relatados estão difamação, ameaças, perseguição virtual (stalking), invasão de contas em redes sociais, divulgação não autorizada de imagens íntimas, produção de conteúdos falsos por inteligência artificial (deepfakes), descumprimento de medidas protetivas e até casos de violência sexual.
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, afirmou que o crescimento dos registros demonstra a importância de ampliar a conscientização sobre as diversas formas de violência digital e incentivar as vítimas a denunciarem os casos.
Como parte das ações de enfrentamento, o ministério lançou a campanha "O digital é nosso lugar" e passou a promover treinamentos específicos para as atendentes do Ligue 180. O objetivo é aprimorar o acolhimento e a orientação às mulheres que procuram ajuda.
Segundo a coordenadora-geral do Ligue 180, Ellen Costa, muitas vítimas ainda não identificam determinadas práticas como formas de violência. Ela destaca que o serviço atua não apenas no recebimento de denúncias, mas também na orientação e encaminhamento das mulheres para a rede de proteção.
Dados referentes a 2025 mostram que as mulheres negras representaram 48% das vítimas de violência digital que procuraram o serviço, enquanto mulheres brancas corresponderam a 34,2% dos registros. A faixa etária mais atingida é a de 25 a 49 anos, responsável por 50,8% das denúncias. Além disso, cerca de 46% das vítimas estavam sem renda ou recebiam até um salário mínimo.
Durante o atendimento, as equipes do Ligue 180 também orientam sobre a preservação de provas digitais, procedimentos para solicitar a remoção de conteúdos nas plataformas e os caminhos para formalizar denúncias junto às autoridades.
Outro tema destacado pelo Ministério das Mulheres é a expectativa pela aprovação do projeto de lei que criminaliza a misoginia. Para a ministra Márcia Lopes, a medida pode fortalecer o combate aos crimes digitais e ampliar as ações educativas voltadas à prevenção da violência contra as mulheres.
O governo federal também busca ampliar acordos de cooperação com estados brasileiros para integrar os serviços do Ligue 180 às redes locais de atendimento, possibilitando encaminhamentos mais rápidos para apoio psicológico, assistência social, segurança pública e programas de autonomia econômica.
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