Um homem suspeito de se passar pelo técnico do Grêmio, Luís Castro, para aplicar golpes em jogadores de futebol foi preso preventivamente na manhã desta quarta-feira (2), no Rio de Janeiro. Segundo a investigação, um atleta do clube gaúcho chegou a transferir R$ 22 mil via PIX para o golpista.
De acordo com a Polícia Civil, o suspeito faria parte de um grupo que criava perfis falsos em aplicativos de mensagens e utilizava a identidade do treinador português para abordar jogadores. Ele é investigado pelos crimes de estelionato mediante fraude eletrônica e falsa identidade.
A apuração da RBS TV apontou que o jogador que realizou a transferência foi o atacante colombiano José Enamorado.
O zagueiro Walter Kannemann também teria sido abordado, mas desconfiou das mensagens e procurou a polícia.
O ex-jogador Andrés D'Alessandro foi outro alvo. Nesse caso, a situação já estava sendo acompanhada pelos investigadores e não houve transferência de dinheiro.
Além de integrantes do Grêmio, a polícia identificou como possíveis alvos atletas e personalidades ligados a clubes de outros estados, uma equipe do futebol europeu e um artista de projeção nacional.
Procurado, o Grêmio informou que não se manifestaria sobre o caso por considerar que se trata de uma questão pessoal do atleta.
Golpista teria usado foto de Luís Castro
A investigação é conduzida pela 4ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre. A chamada Operação Falso 9 foi deflagrada nesta quarta-feira com apoio da Polícia Civil do Rio de Janeiro.
A ação cumpriu um mandado de prisão preventiva e dois mandados de busca e apreensão em Itaperuna (RJ).
As investigações começaram depois que a polícia recebeu a informação de que um suspeito havia entrado em contato pelo WhatsApp com quatro atletas.
Nas conversas, o golpista utilizava uma foto de Luís Castro para se passar pelo treinador. Em uma das abordagens, chegou a orientar os jogadores a chegarem mais cedo ao centro de treinamento no dia seguinte, alegando que gostaria de conversar pessoalmente com eles.
Suspeito conquistava confiança antes de pedir dinheiro
Com um dos jogadores, o falso treinador teria mantido contato durante vários dias. Nas mensagens, perguntava sobre a rotina do atleta, família e desempenho nos treinamentos, além de fazer elogios à dedicação do jogador.
Em determinado momento, o suspeito teria pedido que o atleta não comentasse com os companheiros sobre as conversas, estratégia que, segundo a investigação, buscava isolar a vítima e evitar que a fraude fosse descoberta.
Depois de estabelecer uma relação de confiança, o falso técnico fazia o pedido de dinheiro.
A justificativa apresentada era de que o valor seria destinado a um projeto social no Rio de Janeiro para a compra de cestas básicas.
Pedido envolvia 300 cestas básicas
Em uma das abordagens, o suspeito solicitou a compra de 300 cestas básicas, no valor de R$ 75 cada, totalizando R$ 22,5 mil.
No dia 6 de maio, ele teria enviado uma chave PIX aleatória, afirmando que pertencia a uma suposta responsável pela instituição beneficiada, e orientado o jogador a realizar a transferência.
A primeira tentativa de pagamento não foi concluída porque o valor ultrapassava o limite diário de movimentação bancária da vítima.
Diante disso, o golpista teria combinado que o pagamento fosse realizado na manhã seguinte e novamente solicitado sigilo sobre a operação.
No dia seguinte, a vítima conseguiu efetuar uma transferência de aproximadamente R$ 22 mil via PIX. Depois do pagamento, o suspeito encaminhou uma suposta confirmação de que as cestas básicas haviam sido recebidas pela instituição.
Golpista ainda tentou obter outros R$ 50 mil
Segundo a investigação, o esquema não terminou com a primeira transferência.
Ainda no mesmo dia, o suspeito teria informado ao jogador que outro atleta, que estaria fora do Brasil e não poderia responder naquele momento por causa do fuso horário, também desejava colaborar com a ação social.
A suposta nova doação seria destinada à compra de 600 cestas básicas, em valor equivalente a R$ 50 mil.
O golpista então pediu que a vítima adiantasse o dinheiro, prometendo que posteriormente seria ressarcida pelo outro jogador.
Para tentar tornar a história mais convincente, o suspeito ainda teria mencionado supostas contribuições feitas por outros atletas do elenco.
A segunda transferência, porém, não foi realizada porque o valor novamente ultrapassava o limite diário de movimentação da conta bancária da vítima.
As investigações continuam para identificar outros possíveis integrantes do grupo e eventuais vítimas do esquema.
G1/RS