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Exame de sangue para identificar Alzheimer chega ao Brasil e custa cerca de R$ 3 mil

Teste analisa marcador biológico associado à doença e é indicado para pacientes com mais de 50 anos que apresentam sintomas e suspeita clínica; tecnologia ainda não está disponível no SUS.

Exame de sangue para identificar Alzheimer chega ao Brasil e custa cerca de R$ 3 mil
Foto: Divulgação

Um exame de sangue capaz de identificar marcadores biológicos associados à doença de Alzheimer começou a ser oferecido no Brasil nesta quinta-feira (15). Inicialmente, o procedimento está disponível na rede privada do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS), com custo aproximado de R$ 3 mil.

O teste mede os níveis da proteína p-tau217, associada às alterações cerebrais relacionadas ao Alzheimer. Segundo Eduardo Zimmer, responsável pela implementação da tecnologia e pesquisador da Unidade de Neurociência do hospital, o método pode auxiliar na investigação da doença e, em determinadas situações, reduzir a necessidade de exames mais invasivos ou de maior custo, como a punção lombar.

A indicação é voltada a pessoas com mais de 50 anos que apresentam sintomas e suspeita clínica de Alzheimer. O exame não deve ser utilizado isoladamente para estabelecer o diagnóstico, que depende da avaliação médica e da análise do quadro cognitivo do paciente.

Teste pode exigir exames complementares

Uma parcela dos resultados pode ficar em uma faixa inconclusiva. A estimativa apresentada pelos responsáveis pela implementação é de que isso ocorra em cerca de 15% a 20% dos casos, situação em que pode ser necessária a realização de exames complementares ou a repetição da análise após 12 meses.

A plataforma Lumipulse foi avaliada em um estudo publicado na revista científica Nature Medicine, com 1.767 participantes na Europa. De acordo com os dados divulgados, os resultados apresentaram concordância de até 94% em comparação com o exame do líquor. A pesquisa também apontou menor precisão entre pessoas com 80 anos ou mais.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regularizou produtos da linha em 17 de agosto. O material é importado pela empresa VR Medical. Antes da chegada da tecnologia, amostras para esse tipo de análise precisavam ser enviadas a laboratórios nos Estados Unidos.

Exame ainda não está disponível no SUS

O Ministério da Saúde informou que não há solicitação para incorporar a tecnologia ao Sistema Único de Saúde (SUS). Para que o exame possa ser oferecido na rede pública, é necessária uma avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que considera, entre outros aspectos, a eficácia e a relação entre custos e benefícios.

O neurologista Renato Anghinah, professor da Faculdade de Medicina do ABC e livre-docente da Universidade de São Paulo (USP), ressalta que uma queixa isolada de esquecimento não é suficiente para justificar a realização do teste. Antes da indicação, é necessário avaliar se existe declínio cognitivo por meio de acompanhamento clínico.

A tecnologia pode contribuir para agilizar a investigação e ampliar as possibilidades de diagnóstico, mas deve ser utilizada com orientação médica. Em pessoas sem sintomas, um resultado positivo ainda não tem significado clínico estabelecido para essa finalidade.

O Hospital Moinhos de Vento prevê ampliar o acesso ao procedimento por meio de convênios com planos de saúde ao longo de 2026.

Fonte: Rede TV 

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