Um levantamento realizado pela Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet) apontou que quase metade dos acidentes registrados nas rodovias federais brasileiras nos últimos dez anos teve relação direta com o comportamento dos motoristas.
O estudo analisou dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) entre os anos de 2014 e 2024 e identificou mais de 4,3 milhões de acidentes nas estradas federais do país.
Segundo a pesquisa, 49% das ocorrências — o equivalente a mais de 2,1 milhões de casos — envolveram falhas humanas, como excesso de velocidade, ultrapassagens proibidas e outras condutas consideradas de risco no trânsito.
Além dos comportamentos imprudentes, o estudo também destacou fatores ligados à saúde física e emocional dos condutores. Cerca de 28% dos acidentes tiveram relação com situações como desatenção, transtornos mentais, sono, mal súbito, uso de substâncias e problemas neurológicos ou motores.
Ao todo, essas condições estiveram presentes em mais de 1,2 milhão de acidentes registrados no período analisado.
Exames da CNH são defendidos por especialistas
Para o presidente da Abramet, Antonio Meira Júnior, os números reforçam a importância dos exames médicos realizados durante a renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Segundo o especialista, além da avaliação clínica obrigatória, o processo também pode servir como oportunidade para orientar motoristas sobre prevenção de riscos, cuidados com a saúde e segurança no trânsito.
Antonio Meira Jr. também criticou propostas que defendem a dispensa de exames médicos para condutores sem histórico de multas, afirmando que a avaliação periódica continua sendo importante para identificar condições que possam comprometer a capacidade de dirigir.
Infraestrutura e falhas mecânicas também contribuem
Embora a falha humana apareça como principal fator, o levantamento também cita problemas estruturais e mecânicos entre as causas dos acidentes.
Entre eles estão buracos nas pistas, falhas de sinalização, defeitos nos veículos e condições inadequadas das rodovias, que seguem contribuindo para parte das ocorrências nas estradas brasileiras.
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